| Grande parte de meus trabalhos de 1997 até
hoje explora as minhas experiências como "estrangeiro"
em uma cidade qualquer que não é a minha, o olhar
de quem vem de fora, de uma pessoa que chega a uma cidade desconhecida
e busca uma forma de mapear para si aquele território,
de torna-lo "seu", reconhecível, de absorvê-lo
como algo seu.
Desde o final de 2002, comecei a pesquisar as possibilidades
de expandir estas experiências artísticas para além
da minha presença física nas cidades. As imagens
de webcam (câmeras que transmitem suas imagens em páginas
da web na internet) me permitem visitar em tempo real as mais
diversas localidades do planeta, sem sair de meu estúdio.
As duas séries apresentadas nesta exposição,
Vigilância e Transientes são realizadas
a partir destas imagens digitais capturadas de várias webcams
de diversas cidades. Geralmente foram usadas câmeras de
controle de trânsito.
Enquanto em Vigilância (mais
sobre este trabalho) as imagens são
acumuladas por aproximadamente uma semana, em horários e
dias variados, e posteriormente, fundidas por superposição,
em Transientes (mais
sobre este trabalho), são
acumuladas dezenas de imagens em sequência, durante períodos
de tempo variáveis (alguns segundos até vários
minutos), que são também superpostas em fusão.
A questão principal em ambas as séries é a
discussão da noção de sucessão linear
do tempo, bem como a nossa transitoriedade no mundo e no tempo. |