Desta vez, ao invés da ornamentação floral se dar sobre as imagens militares, os azulejos de papel com estas imagens são intercalados por azulejos de papel com imagens de flores pintadas a partir dos azulejos originais produzidos pela fábrica lisboeta Viúva Lamego entre o século XIX e XX.
Os projetos de arte urbana de Fábio Carvalho atuam como pequenas inserções, peças que invadem o espaço quase como um parasita. As intervenções aparecem mais por tensionarem o que já está lá, em vez de impor-se de cima para baixo a um espaço. As intervenções exigem uma certa intimidade para entrar em ação. Eles permanecem dormentes até que você as ative com o seu olhar. Eles não gritam - sussurram.
O trabalho atual de Fábio Carvalho busca propor uma reflexão sobre estereótipos e expectativas de gênero, através da sobreposição e conflito entre os clichés de masculinidade ideal, como o militar, o atleta musculoso, o cowboy, o trabalhador braçal, com elementos e labores tradicionalmente atribuídos ao terreno do feminino, como padrões decorativos florais, a louça de porcelana, flores e borboletas, bordados e rendas. Com sua produção, o artista procura questionar o senso comum de que força e fragilidade, virilidade e poesia, masculinidade e vulnerabilidade não podem coexistir, e nos lembrar que tudo aquilo que nos parece eterno e definitivo, são na verdade acordos no tempo e espaço. |